Pesquisas Interativas : Uso do I Ching na Tomada de Decisão

I significa MUTAÇÃO. Num sentido mais amplo, não há o que mude, não há quem mude, só o mudar. Sendo a mutação onipresente e absoluta, ela é imutável. Portanto, O I também significa fácil e simples, numas alusão às coisas simples e fáceis da linguagem do coração.

Ching (ou King) é a palavra chinesa para Livro de Sabedoria, parecido em sua origem com o nome da Bíblia, pois Biblos é livro também.

O I Ching é um guia que responde a questões com analogias verbais. Sua primeira aparição na história aconteceu há cerca de 5.000 anos, na China. Revela um padrão, não as especificações de um acontecimento. Funciona usando dinâmicas da Teoria do Caos, prevendo tendências. Sua linguagem é binária, 0/1, sim/não, como a dos computadores, num enfoque de complementariedade. Opera numa configuração de 6 linhas formando um hexagrama, as quais podem ser yang, contínuas, ou yin, partidas.

Um dos obstáculos à compreensão e utilização do I Ching como um "Mestre" a nos orientar, é nossa tendência a intelectualizar, a buscar caminhos lógico-lineares, para atender os fatos. Esta atitude crítica, nada intuitiva e não-linear, nos bloqueia o entendimento de suas orientações. Outra dificuldade é nossa obsessão pelo ruído, pelo barulho, que nos faz sentir desconfortáveis no silêncio. O silêncio nos permite escutar nosso coração, ouvir nosso "Mestre" interior, que se pode manifestar pelo I Ching tal qual funcionou para Jung, o fundador da Psicologia Analítica, que prefaciou uma das mais usadas traduções do I Ching, a de Richard Wilhelm, missionário cristão que foi o primeiro a estudá-lo profundamente. Tem funcionado para mim, para meus amigos e amigos clientes.

Referências Indicadas:
I Ching: Princípios, Prática e Interpretação, de Jean-Phillippe Schlumberger, ed. Pensamento
I Ching: O Livro das Mutações, de Richard Wilhelm, ed. Pensamento
I Ching: A Alquimia dos Números, de Wu Jyh Cherng, ed. Mauad

 

O I-CHING e o Processo Decisório: Um Estudo de caso

Na Empresa X (real), o capital social está dividido entre três sócios: um com 50%, outro com 35% e outro com 15%. O detentor dos 50% tem uma personalidade muito adaptativa, mas tem dificuldade em fazer prevalecer suas opiniões. O detentor dos 15% é mais próativo, mas o seu poder decisório é pequeno. O detentor dos 35% é muito firme em suas opiniões e tem um poder de influência grande e atua com um tipo de perfil de liderança um tanto autoritária. Isto traz como resultado uma realização econômica bastante boa da “Empresa X”, mas gera um clima organizacional tenso e estressante.

O que fazer?

O I-Ching foi consultado com a seguinte pergunta: Como deve ser a atuação, na Empresa X, do sócio detentor de 35% do capital social?

A resposta do I-Ching foi o hexagrama 60 - Limitação, com duas linhas mutantes.

1º - “Não ir além da porta e do pátio não implica culpa. É um sinal de que se sabe o que está aberto e o que está fechado”.

Muitas vezes um homem gostaria de realizar algo, porém se vê diante de limitações. É necessário, então, que ele saiba discernir em que ponto deve parar.

2º - “Limitação satisfeita, sucesso. O sucesso da limitação satisfeita decorre do fato de se aceitar o caminho do que está acima”.

Esta linha correta mantém relação de receptividade com o governante do hexagrama. Ela se adapta contente a sua posição e por isso encontra o sucesso unindo-se à linha que está acima, o nove na quinta posição, ao qual ele segue.

É importante lembrar que este texto é a tradução literal do I-Ching conforme o texto de Richard Wilhelm, prefaciado por C.G.Jung. Não há “interpretação” de quem faz a consulta.

Façamos agora uma “interpretação”:

O sócio detentor de 50% do capital social é o “governante”, pela dimensão do seu capital. Mas, embora buscando uma liderança mais moderna e humanizada, tem dificuldade em fazer prevalecer suas opiniões.

O I-Ching recomenda ao sócio detentor dos 35% do capital social, ao agir na “Empresa X”, limitar-se, sabendo discernir “em que ponto parar”, não indo “além da porta e do pátio”, isto é, detendo uma liderança autoritária que pode estar gerando tensões internas, com reflexos na atuação da “Empresa X” junto a seus clientes.

Em seguida, a 2ª linha, contínua, dizendo que seguida à recomendação de limitação do sócio com 35% do capital social, haverá sucesso, pela aceitação do caminho de liderança desejado pelo “que está acima”, o detentor dos 50% do capital social. Diz ainda que esta adaptação, “contente à sua posição” encontra sucesso, unindo-se à linha que está acima (que é a do governante do hexagrama).

Não parece uma ótima orientação para a “Empresa X”?

Você usaria o I Ching como uma ferramenta de reflexão para subsidiar sua tomada de decisão em nível profissional?

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